sábado, 13 de dezembro de 2014

Comunicação feita no antigo Hospital Júlio de Matos

Nos dias 27 e 28 de Novembro decorreram as II Jornadas do Serviço de Psicologia Clínica e Psicoterapias - (Re)Pensar a Prática da Psicologia; o Serviço onde trabalhei até mudar-me para a Aldeia das Amoreiras no Alentejo para colaborar num projeto de natureza ecológica de desenvolvimento local.

A minha antiga "Chefe" convidou-me para moderar uma mesa e para fazer uma comunicação sobre "A vida para além da psicologia".
Aceitei, um pouco a medo. O que eu teria para dizer sobre a minha "nova vida" interessaria à minha "antiga" classe profissional?
Até à véspera ainda não tinha a certeza de se arriscaria fazer a comunicação.

Durante a longa viagem de carro da Serra até Lisboa fui "iluminada" por uma constatação:

Os conceitos da minha nova vida são os mesmos da minha antiga prática profissional. Será?

Entusiasmada com a ideia, a vontade de fazer a apresentação ganhou novo fogo.

No dia 27 de Novembro à tarde, a mesa que ía moderar era a das comunicações livres, tinha 4 oradores e eu!
Quando cheguei ao palco onde estava o "palanco" e vi o papel que me tinham deixado com as indicações para apresentar os colegas e as suas comunicações, senti que o que eu tinha preparado ía cair de paraquedas, que estava completamente ao lado e que poderia não fazer sentido nenhum, apresentar o que quer que fosse!

O primeiro colega ía falar sobre comunidades terapêuticas em saúde mental, o segundo sobre o foco em psicoterapias breves, o terceiro sobre tutores de resiliência e o quarto sobre os rostos da violência.
Era tudo tão específico e técnico que decidi, naquele momento, que se quando terminassem não achasse pertinente a minha comunicação, não apresentaria nada!

Enquanto os fui ouvindo, o que tinha preparado ía ganhando pertinência.
Na hora decidi arriscar!

Aconteceu mais ou menos assim (relato de memória):

"Boa tarde, quando vi que comunicações os meus colegas iam apresentar pensei que a minha comunicação ía cair nesta mesa de paraquedas, mas acabaram por me dar todas as deixas que eu precisava.
O papel da comunidade foi aqui elevado ao nível terapêutico, foi apresentada uma intervenção na direção da resiliência, a abordagem focal que permite um resultado que se vai generalizar e por fim a descrição de vários níveis de violência que me remeteram para um outro nível de violência, o ecológico e que tem a ver com a violência com que o ser humano se implementou no Planta Terra.

Assim, já se enquadra a minha apresentação que se chama " Paralelismos entre Psicologia, Transição e Permacultura".


Eu chamo-me Mónica Barbosa, sou psicóloga desde 1996, formada pelo ISPA e estive durante 5 anos neste Serviço de Psicologia.
Há 2 anos e meio saí de Lisboa, deixei de trabalhar na Função Pública e passei a ser permacultora a tempo inteiro.
Como a psicologia faz parte da minha identidade reconheci os princípios da psicologia, da relação clínica e de ajuda, nos princípios do Movimento de Transição e da Permacultura.
E porque serão novidade para a maior parte de vós, vou apresentá-los resumidamente, já que, numa audiência de psicólogos, a psicologia dispensa apresentações.

A ligação será óbvia à medida que formos visitando alguns conceitos e sugiro que vão fazendo os paralelismos com a vossa prática clínica.

Selecionei alguns sites para visitarmos, por forma a não ser eu a apresentar estes conceitos, já que sou apenas uma iniciada na permacultura.

O Sr X  (do apoio audiovisual) será literalmente o meu braço direito porque daqui não tenho acesso ao rato e será através das minhas instruções que graças a ele poderemos navegar nos sites. Desde já obrigada, Sr X!

Comecemos pela wikipédia porque se em casa não se lembrarem de mais nada, será fácil apanhar o fio à meada.


Dos sites que estivemos a ver destacaria:

  • No Movimento de Transição previligia-se a ação local enquadrada num nível de análise que é global, tal como na psicoterapia se delimita um foco de intervenção após uma avaliação global do paciente.
  • A acção local, tal como foco, permite, através do efeito de carambola um impacto global. Assim, agindo na nossa comunidade estamos a mudar o mundo!
  • A comunidade aparece associada ao conceito de resiliência sendo, em si própria, factor de mudança.
  • A crise, neste caso a do petróleo é encarada, tal como os momentos de crise na clínica, como uma oportunidade de mudança.
  • A transição interior é o momento de mudança interna em relação ao estilo de vida, semelhante ao momento pivot que ocorre "magicamente" na psicoterapia.
  • E tal como promovemos redes de suporte para os os nossos pacientes aqui, também se promovem a criação de redes intra e inter comunidades.


Dos sites em que estivemos a navegar, sublinharia que:


  • A permacultura parte de uma visão holística e sistémica que permite um planeamento para a vida quotidiana em todos os seus detalhes, tal como depois de uma análise do sujeito e do seu contexto o psicólogo parte para o desenho do plano da intervenção.
  • A ética da permacultura é em tudo semelhante à ética da psicologia.
  • Se atentarmos nos autores da ecologia integral e profunda poderemos encontrar entre eles vários psicólogos. Recomendo vivamente a leitura do livro "Steps to an Ecology of Mind" do nosso reconhecido colega Gregory Bateson.
  • A permacultura procura imitar a natureza, tal como nós que procuramos repor o equilíbrio que seria natural.
  • A atividade, na permacultura, é uma atividade regenerativa, da mesma natureza que a relação terapêutica é reparadora.







Então, se a psicologia se ocupa do estudo da alma e a alma é a dimensão mais holística do Ser Humano, parece que ainda é possível integrar na intervenção psicológica, para além da actual perspectiva bio/psico/social, também as dimensões ecológica e espiritual.




Por fim, deixo-vos com a imagem da flor da permacultura para poderem visualizar a complexidade de análise e intervenção na permacultura, também integrada no Movimento de Transição.
Obrigado!

E tendo terminado, seguiu-se o espaço para debate e questões.
Para meu espanto, um colega de mesa já tinha ouvido falar sobre permacultura e houve comentários sobre o tema.

Como esta produção foi feita em 2 horas, precisa de aprofundamento. Vou usá-la como ponto de partida para um artigo.

Se tiverem comentários mandem para o meu mail, sff.


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