sexta-feira, 27 de março de 2015

Uma introdução à permacultura

Uma introdução à Permacultura

O conceito "permacultura", exposto pela primeira vez em livro em 1978 na Austrália por Bill Mollison e David Holmgren (à época, o primeiro, professor na universidade e o segundo, estudante de design ambiental), uniu os termos "permanente" e "agricultura". Designava um novo sistema interdisciplinar de design / planeamento ético, ecológico e funcional, para a escala humana e local. No cerne estavam os imperativos éticos de consciência e de responsabilidade pessoal perante a exploração e destruição da Terra, resumidos na seguinte interrogação: "Os nossos filhos e netos vão herdar um planeta em melhor estado do que aquele que nós encontrámos?". Reflecte uma atitude que rejeita a organização económica apenas orientada para a maximização do lucro financeiro.

A permacultura integra alternativas aos sistemas produtivos de escala industrial, que dependem do transporte de quantidades massivas de energia e de “matéria-prima” de um continente para outro. A evolução do sistema de produção permacultural tem como sustento o ritmo da fotossíntese e do crescimento dos diversificados elementos biológicos, em vez de estar dependente da insustentável, ineficiente e poluente indústria do petróleo e dos seus derivados combustíveis, fertilizantes e pesticidas.

Conceptualmente centrada na regeneração da terra e na gestão ecológica e multi-funcional dos elementos vivos e materiais de um território, durante os anos 80, a permacultura passou abranger os sistemas que satisfazem outras necessidades humanas básicas numa dada bio-região: saúde, educação, finanças, economia, organização comunitária, jurisdição e política. Permacultura passou a significar um sistema de planeamento que visa uma "cultura-permanente", além de uma "agricultura-permanente".

A abordagem sistémica permeia todas as fases do processo de planeamento. Os métodos e valores centrais implicados são: observar extensa e perspicazmente; identificar padrões naturais e trabalhar com eles e não contra eles; ampliar as vias de retro-alimentação para constante ajustamento; integrar e relacionar os elementos que suprimem as necessidades uns dos outros; maximizar a re-utilização e a multi-funcionalidade de cada elemento; diversificar a origem de cada bem essencial; cooperar, actuar e pensar globalmente e localmente; valorizar processos marginais; não produzir desperdício; criar sistemas que tendem para a auto-regulação; obter o máximo rendimento com a mínima intervenção; assistir às necessidades urgentes e básicas das pessoas e das comunidades; transformar problemas em soluções; eco-literacia, entre outros.

O efeito em rede, iniciado pelas ligações entre permacultores nos anos 80, é amplificado para a escala planetária na era da Internet. Os desafios para a permacultura também são desta escala e não param de aumentar: perda de biodiversidade, desertificação, acesso à água e contaminação dos rios e lençóis freáticos, alterações climáticas e maior frequência de fenómenos meteorológicos extremos, aumento da toxicidade na cadeia alimentar, pico do petróleo, crescimento demográfico e do desemprego, injustiça ecológica e social.

João Gonçalves
Chão Sobral

19 Março 2015

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