terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Qual a incompatibilidade entre os ordenados que queremos que nos paguem e os preços baixos que gostamos de encontrar quando vamos às compras?

Se reivindicamos salários altos, significa que queremos valorizar a nossa mão de obra.
Queremos valorizar o nosso preço/hora.

Se reivindicamos comida barata significa que estamos a desvalorizar a mão de obra de quem os produziu.
Estamos a desvalorizar o preço/hora do trabalho dos outros.

Parecem 2 movimentos incompatíveis, opostos.
Estamos a dar uma cravo e outra na ferradura.
Queremos sol na eira e chuva no nabal.

Parece que não é compatível que peçamos subida de ordenado e depois andemos à procura de baratezas.
Mais cedo ou mais tarde o nosso ordenado vai ter que descer porque há-de haver quem ache que se deve pagar menos pelo nosso trabalho também.

Temos de escolher: ou queremos artigos baratos para comprar e temos que aceitar que os nossos ordenados também vão ser arrastados por isso
ou queremos ordenados justos e temos de aceitar pagar preços justos pelo que compramos

Porque se o dinheiro circula, em roda, o que vai volta. Se sai pouco entra pouco.

A melhor forma de garantirmos salários justos é comprarmos artigos a preço justo.
Artigos de empresas que paguem de forma justa aos trabalhadores.
Só assim o nosso preço/hora não será regateado também.
Só assim os outros (esses trabalhadores) vão poder continuar a pagar os nossos serviços.

Não será melhor desconfiar do que é barato?
Quantas vezes não temos a noção que o valor que pagámos por uma coisa não serve para pagar o material, o trabalho, a distribuição... todo o processo?

Os preços baixos de hoje são reflexo de uma industrialização poluente ou de uma agricultura subsidiada em gasóleo e herbicidas, fungicidas, etc tudo poluente.
Por isso, a maior parte dos produtos baratos que adquirimos hoje são apenas falsamente baratos. O preço que estamos a pagar por eles é altíssimo.
Pagamos um preço em qualidade do ar, qualidade da água, qualidade da terra, qualidade dos alimentos e por aí fora.

Para garantirmos uma sociedade justa e valorizada precisamos consumir menos quantidade de produtos para comprarmos produtos a preço justo.
Em vez de 5 camisolas a 3€, mais vale comprar uma de 15€ a uma marca com ética.
Na verdade, precisamos de tantas camisolas ou são apenas para nossa vaidade?

Em vez de ir jantar fora, não valerá mais a pena comprar alimentação biológica para cozinhar em casa?


Cada um saberá o que pode e quer fazer.




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