segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Porque deixei a cidade para viver no campo?


Bem! Porque...

Comecei a reparar que todos os dias comprava qualquer coisa, comida, roupa, elásticos, papel, etc.

Depois, comecei a reparar que muitas das coisas que comprava vinham de longe e por isso gastavam muito gasóleo para chegarem até Lisboa. Vinham de camião, barco ou avião . 
E... o gasóleo polui o ar!

Depois, comecei a reparar que essas coisas que eu comprava eram quase todas feitas em fábricas. 
E... as fábricas deitam fumo, que também polui o ar.

Depois, reparei que a comida que eu comprava e comia, também vinha de uma espécie de fábrica e que os animais que eram criados para eu comer, não eram felizes.

Depois, comecei a reparar que havia mais pessoas sem trabalho, porque as fábricas usam máquinas e por isso precisam de poucas pessoas para trabalhar.

Depois, comecei a reparar que na natureza os animais não ficam desempregados e que antigamente nas aldeias também não havia desemprego.
Tudo se aproveitava, tudo dava muito trabalho a fazer e por isso os filhos aprendiam desde cedo a ajudar.

Depois, reparei que se imaginasse que ficasse sozinha no meio da natureza - que tem tudo o que precisamos para sobreviver - eu não sabia fazer uma casa, não sabia cultivar comida, não sabia onde arranjar água para beber.

Então, fiquei com vontade de aprender a fazer aquilo de que precisamos mesmo: cultivar comida, encontrar água e construir um abrigo.

Fiquei com vontade de usar mais coisas feitas por pessoas do que por máquinas e de cultivar a minha própria comida.

Por isso, fui viver para o campo.
Hoje vivo numa aldeia na Serra do Açor, pertinho da Serra da Estrela.

Mas quando venho à cidade e preciso de comprar alguma coisa, escolho comprar a pessoas que cultivam comida sem estragar a natureza, em vez de comprar às marcas que usam químicos e pagam pouco aos trabalhadores.

Na minha aldeia, guardo a água da chuva para regar, ando a pé, compro muito poucas  no supermercado e não deito quase nada no lixo. 
Os restos de comida são para os animais e procuro reaproveitar o “lixo” que encontro (os pacotes de leite dão óptimos vasos, por exemplo).

Tenho uma horta, como carne de animais que trato muito bem e são felizes (cabras, galinhas, porcos), cozinho à lareira com lenha que já sei apanhar. Seco plantas para chá, seco fruta para o ano inteiro, faço queijo com leite de cabra, faço broa...

Se quiserem fazer uma visita de estudo à minha aldeia, gostava muito de vos receber lá.

Mónica

NOTA: Texto pedido por um amigo, para ler na escola, à sua turma de crianças de 6 a 8 anos.

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